Quarta-feira, 21 de Março de 2018

CADERNOS DO SUBTERRÂNEO (4)

- É o turismo, senhor, o turismo.

- Turismo em Janeiro?

 

António Costa to Alexis Tsipras:

- Thanks, Alexis; your country saves mine from the shame of being the last in Europe.

 

 

BRITÂNICOS DE OLHOS AZUIS E PELE ESCURA

     Estudos acabam de revelar recentemente que, há dez mil anos, os britânicos tinham olhos azuis e pele escura. Estas conclusões foram tiradas da análise ao ADN do mais antigo e completo esqueleto britânico conhecido. Chamam-lhe Cheddar Man - uma referência a Cheddar Gorge, onde o fóssil foi descoberto em 1903.

Fontes: jornais portugueses e estrangeiros 

 

 

A(S) RAÇA(S) HUMANA(S) E AS SUAS DIFERENÇAS

 

(O FARDO DO HOMEM BRANCO) 

 

   As teorias acerca das origens da(s) espécie(s) humana(s), e as suas diferenças, têm variado nas últimas décadas ao sabor das conveniências e dos ventos políticos ou ideológicos. Até ao final dos anos trinta do Século XX, de um modo geral a Antropologia punha a tónica nas diferenças entre as espécies humanas e falava abertamente em quatro raças - raça branca, negra, amarela e vermelha. Como se sabe, os Nazis levaram demasiado longe a teoria das raças, ao ponto de provocarem uma Guerra Mundial (a segunda) com as consequências que se conhecem. A derrota da Alemanha nazi conduziu ao fim de tal teoria e também das diferenças entre os humanos. Deu-se uma volta de cento e oitenta graus. Passou a ser tudo igual. Um só tronco. Uma só espécie. Uma só origem - a África. Mentiras. Enganos. Falsidades. Fraudes pseudocientíficas. Um dado inquestionável na Natureza é a diferença, a diversidade. Nos animais, nos vegetais (e nos próprios minerais).  Só de macacos, conhecem-se pelo menos quatrocentas espécies. De tubarões, outras tantas. De aves e répteis, milhentas. De insectos, idem aspas. De plantas e de frutos, nem vale a pena falar. Se a diversidade é a regra, na Natureza, porque é que só nos humanos é que haveria de existir a excepção de apenas uma espécie? A espécie humana única é uma falácia. Sim, uma falácia. Uma fantasia. Uma ficção. Uma mistificação. Uma invenção do politicamente correcto, obviamente ainda sem esta designação, surgida depois da Segunda Guerra Mundial e acentuada na década de sessenta do Século XX, (sempre essa década fatal).  Sim, há, com toda a certeza, diversas espécies ou raças humanas, e a velha divisão dos humanos em quatro raças diferentes (pelo menos) continua a ser tão pertinente como há oitenta anos.

    Dito isto, impõe-se aqui uma pergunta antecedida de algumas considerações: corre por aí, desde há três ou quatro décadas, uma narrativa segundo a qual os humanos nasceram em África e de lá vieram para a Europa, passando pela Ásia, há entre quarenta mil a duzentos mil anos (os números têm vindo a estar em frequentes variações para mais), evoluíram para os brancos europeus, de olhos azuis, lábios finos, cabelo loiro e liso, e deram origem aos actuais povos civilizados do denominado Velho Continente. (Pouco ou coisa nenhuma se diz acerca dos aborígenes da Austrália, e ilhas próximas, esses sim, indubitavelmente oriundos de África e que em nada se distinguem dos grupos humanos que permaneceram  no mesmo continente, quer no que toca ao estádio civilizacional rudimentar, aquando da descoberta desse continente-ilha, quer quanto aos traços anatómicos). Voltando ao conjunto de humanos, vindo de África e supostamente em expansão pelo Mundo, outros continuaram a sua marcha, através do Estreito de Bering, e povoaram todo o continente americano. É sabido que quando os Europeus, a partir dos finais do Século XV, chegaram ao chamado Novo Mundo (de norte a sul) só encontraram povos primitivos, quer dizer, povos que andavam de tanga (e muitos nem isso) viviam em tribos e eram caçadores-recolectores. Pois bem, admitindo, por mera hipótese de raciocínio, que essa narrativa da longa marcha da humanidade faz algum sentido, e dando de barato esse prodigioso milagre anatómico que consistiu na transformação de negros retintos, de olhos escuros, cabelo preto e crespo, lábios grossos e nariz achatado, em brancos de cabelo loiro e liso, lábios finos, nariz afilado e olhos azuis, eis a pergunta: porque é que os humanos que ficaram no continente europeu se tornaram evoluídos e civilizados e os que seguiram, se é que seguiram, para o continente americano permaneceram primitivos? A resposta correcta só pode ser a seguinte: eram espécies diferentes de raças humanas as que ficaram na Europa e as que se dirigiram para o continente americano, ou mesmo lá nasceram, e nunca espécies iguais. E não se argumente que a ligação dos humanos, nascidos em África, aos restantes grupos espalhados pelo mundo se prova pela comparação do ADN entre eles. E porquê? Porque a comparação do ADN dos humanos e o ADN dos chimpanzés provou serem semelhantes em mais de 99%. Ora se a semelhança entre humanos e chimpanzés é mais de 99%, é óbvio que, em termos de ADN, não há qualquer diferença entre grupos de humanos, mesmo tratando-se de grupos de humanos diferentes. Assim sendo, formula-se uma outra pergunta: onde residem então as diferenças entre as espécies humanas? Resposta: as diferenças encontram-se nas características morfológicas (todas, da cor da pele ao formato do nariz) e nas capacidades intelectuais e culturais dos diferentes grupos humanos.

      O politicamente correcto tem de ser revisto nestas (e noutras) matérias, sob pena de pôr em causa o próprio rigor científico. Os Nazis (e companhia) estavam (ou estão) errados ao fazerem das diferenças raciais uma forma de dominarem e tiranizarem as raças, intelectual e culturalmente, menos avançadas. Os seus opositores estão errados ao combaterem o racismo com a teoria errada de que somos todos iguais e viemos todos do mesmo tronco africano ou seja lá do que for. Nem somos todos iguais nem viemos todos de África. Nos três Reinos da Natureza (animal, vegetal e mineral) o que impera, e sempre imperou, é a diversidade e não a unicidade. E a espécie humana não é nem pode ser excepção a tal regra, por mais que queiram (e desejem) os apologistas do politicamente correcto.  

 

O EXCEPCIONAL SOM NASALADO DAS PALAVRAS PROFERIDAS PELOS FALANTES ORIGINÁRIOS DAS LÍNGUAS INDO-EUROPEIAS

 

    O Indo-europeu foi uma língua falada na Europa há cerca de cinco mil anos. É do Indo-europeu que derivam quase todos os actuais idiomas utilizados na Europa (com pequenas excepções), em partes da Ásia, nas ex-colónias de países europeus espalhadas pelo mundo e, antes deles, as línguas mortas como o Latim e o Grego antigo. (O Sânscrito é uma outra língua morta de origem indo-europeia e que existiu na ìndia). Estas línguas fazem parte do chamado grupo ou família das línguas indo-europeias.

    Uma vez que, durante a existência e utilização do Indo-europeu, a escrita ainda não fora inventada e, portanto, não restam registos documentais do Indo-europeu, como é que sabemos da sua existência? Sabemos dessa existência, por um lado, devido à semelhança entre diversas palavras das actuais línguas indo-europeias, tais como "mãe", "pai", etc., e, por outro, em razão da semelhança estrutural entre as letras dos referidos idiomas e também entre os seus próprios abecedários. Tais semelhanças sugerem um tronco comum às referidas línguas (indo-europeias).

     Mas há ainda mais uma semelhança muito importante entre as mencionadas línguas, semelhança essa que acaba por ter que ver com o objecto da reflexão que aqui se pretende fazer e que se encontra, de resto, resumida no título do presente artigo. Trata-se do som nasalado das palavras desses mesmos idiomas, quando tais palavras são proferidas pelos falantes originários das línguas indo-europeias. (Mais adiante explicaremos o sentido da expressão "falantes originários das línguas indo-europeias".) Diremos desde já que o som nasalado das palavras, pronunciadas pelos falantes originários das línguas indo-europeias, se deveu, na sua fase inicial de formação, essencialmente ao nariz afilado desses mesmos falantes (nariz afilado ou, com mais propriedade, nariz apertado, facto que como se sabe está na origem do som roufenho ou fanhoso das palavras). Esta característica das línguas indo-europeias (o som nasalado das palavras produzido pelos seus falantes originários) é uma excepção quando comparada com o que acontece com outras línguas ou com outros grupos de línguas à escala universal. Nestes últimos casos, dada a ausência do nariz afilado ou nariz apertado, o som das palavras é sempre oral e não nasalado. Ou seja, o som oral das palavras é a regra e o som nasalado a excepção. É preciso sublinhar que o som nasalado das palavras das línguas indo-europeias (no caso) adquire-se, independentemente de factores anatómicos, quando se nasce e/ou se cresce em países de línguas indo-europeias (por exemplo, na Europa) ou quando se nasce e também se cresce, embora fora dos mesmos países, no seio de famílias de falantes originários de línguas indo-europeias. É a estas categorias de falantes de línguas indo-europeias que apelidamos de "falantes originários" de línguas indo-europeias. Os falantes não originários das línguas indo-europeias são aqueles que utilizam essas línguas não só com pronúncias ou sotaques diferentes (por exemplo, falantes das ex-colónias de países europeus) mas também com o som oral das palavras e, por conseguinte, sem o som nasalado atrás referido. Tal só não sucede, por razões várias, com determinados falantes da língua inglesa. Nestes casos (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) a língua, muito embora com pronúncias ou sotaques diferentes, manteve o som nasalado das palavras e, no que respeita aos Estados Unidos, de forma bastante acentuada como aliás facilmente se constata.

     De regresso à aquisição do som nasalado das palavras, proferidas pelos falantes originários das línguas indo-europeias, convirá realçar que se trata de uma aquisição natural e espontânea e que acontece desde tenra idade. Essa aquisição não depende da aprendizagem ou apropriação consciente e muito menos pode ser mimetizada (a imitação do som nasalado das palavras soaria ridícula). E mais: ao contrário do que sucede com a pronúncia ou o sotaque, o som das palavras (quer o nasalado quer o oral) , uma vez adquirido, nunca se perde; perdura ao longo das vidas dos respectivos falantes sem ter em conta o lugar ou o ambiente onde estes vivam (ou passem a viver). Também ao invés do que acontece com a pronúncia ou o sotaque, que variam consoante as regiões (de uma mesma língua) e mesmo consoante as classes sociais, o som das palavras (quer o nasalado, no caso dos falantes originários de qualquer idioma indo-europeu, quer o oral no caso dos falantes dos restantes grupos línguísticos) é mais igual e democrático em todos os falantes, para lá das regiões ou classes sociais a que estes partençam. Porque assim é, o som das palavras (conforme os casos, nasalado ou oral) acaba por ser, em certa medida, um dos traços distintivos fundamentais de qualquer língua viva.                                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

      

publicado por flagrantedeleite às 13:45
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