Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015

14ª. EPÍSTOLA DE UM ALEMÃO AOS MERIDIONAIS DA EUROPA

A PROPÓSITO DE PESADELO

 

PESADELO - Sonho muito intenso e desagradável, frequentemente acompanhado, ao acordar ou quando é relembrado, por uma sensação de angústia. Os pesadelos ocorrem durante o sono REM ("rapid eye movement", movimentos oculares rápidos), na segunda e última parte da noite, e são muitas vezes recordados claramente se a pessoa acorda completamente. (...) A recordação é geralmente clara e prolongada no tempo graças a um registo na memória mais forte que a maioria dos sonhos banais ou mesmo agradáveis. (...) Acontecimentos traumatizantes (como acidentes, torturas ou prisão prolongada) originam invariavelmente pesadelos terríficos repetidos que podem fazer parte de um quadro psiquiátrico mais amplo, por exemplo  o distúrbio do stress pós-traumático.

    In ENCICLOPÉDIA DE MEDICINA, págs 859, edição das Selecções do Reader's Digest, 4ª. reimpressão, Outubro de 1997. 

 

Caríssimos irmãos do Sul,

OS DEZ PESADELOS DE ANTÓNIO COSTA

(A ordem é cronológica)

 

PESADELO UM (José Sócrates)

     Um mês e tal depois de António Costa ter sido eleito secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates foi preso preventivamente e indiciado dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal. Começou assim o pesadelo José Sócrates para António Costa. (Entretanto, na última sexta-feira, tal medida de coacção foi alterada para prisão domiciliária com vigilância policial). Por mais que António Costa queira e deseje, não pode disfarçar os enormes estragos, de toda a ordem, nomeadamente de cariz político, que o caso Sócrates tem vindo a provocar ao Partido Socialista e, consequentemente, ao seu actual secretário-geral. É que, além de tudo o mais, José Sócrates liderou o Partido Socialista de 2004 a 2011, e foi primeiro-ministro no período de Março de 2005 a Junho de 2011, tendo sempre como o seu número dois, quem? Nada mais, nada menos do que... António Costa. E convém lembrar que José Sócrates não se limita a ser um mero político preso, o que de si já seria uma situação assaz embaraçosa, como de facto o é, para o Partido Socialista e para António Costa. Não, não é só isto! José Sócrates pretende ser um preso político com as prerrogativas inerentes, como sejam os veementes protestos de índole política contra os que o prenderam, e as acusações indirectas contra o Partido Socialista e, por extensão, contra António Costa. José Sócrates destila tais protestos e acusações em entrevistas que dá a órgãos de comunicação social e nas cartas que periodicamente vai enviando aos ditos órgãos de comunicação social. Por cada entrevista que José Sócrates concede, por cada carta que José Sócrates escreve, são golpes fatais que António Costa recebe e que fácil e rapidamente se transformam em medonhos pesadelos.

     Nota à margem (1): José Sócrates, na cadeia, foi um imenso pesadelo para António Costa. O que poderá ser José Socrates em prisão domiciliária e ainda por cima estando a decorrer uma campanha   eleitoral? 

 

PESADELO DOIS (AS SONDAGENS)

      Logo depois de António Costa ter sido eleito secretário-geral do Partido Socialista, as sondagens ainda chegaram a dar, embora timidamente, alguma vantagem ao PS sobre a coligação PSD/CDS. Mas nunca se tratou das maiorias absolutas com que os zelotes mais fanáticos sonharam. Entretanto, nas últimas semanas, tudo mudou para pior para o Partido Socialista. As vitórias iniciais do PS foram gradualmente emagrecendo, dando pouco a pouco lugar a empates técnicos com a coligação PSD/CDS.Tudo indica que o PS vai continuar a descer na preferência dos eleitores, sendo naturalmente previsível a sua derrota nas urnas, ou, quando muito, uma vitória escassa. A sonhada maioria absoluta do Partido Socialista não passa hoje de uma simples miragem com sabor a pesadelo. Mais um.

       Nota à margem (2): António Costa, ao ter apeado o seu camarada e anterior secretário-geral do PS, António José Seguro, a pretexto de uma vitória eleitoral deste último, que ele considerou magra, fixou iniludivelmente para si próprio uma fasquia em termos de resultado nas urnas, fasquia essa que excluirá tudo o que não for uma vitória retumbante e convincente do Partido Socialista, nas próximas eleições legislativas. [Com a mesma medida com que medirdes, também vos medirão de novo (Lucas, 6, 38)]. Por isso, e para ser coerente consigo mesmo, António Costa que se prepare desde já para deixar de ser líder do PS, de moto próprio e face a uma derrota ou a uma vitória que, quando muito, deverá ser tangencial nas citadas eleições legislativas. (Quem foi que disse que o fantasma do general Pirro estará sempre a pairar po aí?). E mais: espera-se que António Costa sensatamente não venha a ter a veleidade de imitar Alexis Tsipras, aliando-se ao(s) diabo(s) pela pura ambição de formar governo.
 
PESADELO TRÊS (OS INDICADORES FAVORÁVEIS DA ECONOMIA)
 
     Em matéria do comportamento da economia portuguesa, mormente no que toca aos indicadores respeitantes ao turismo, à confiança das famílias portuguesas, ao crescimento, ao (des)emprego, à exportação, ao consumo interno e aos juros dos empréstimos contraídos por Portugal, é tudo a melhorar a olhos vistos, é tudo a jogar a favor do governo e, inversamente, é tudo a militar contra o Partido Socialista. O que significa que, também em tais áreas, os pesadelos não param de atormentar António Costa.
 
PESADELO QUATRO (A ESTABILIDADE GOVERNATIVA)
 
     Nos últimos quatro anos, muita gente, por várias vezes, por causa da austeridade, e a pretexto desta ou daquela crise, ou deste e daquele desentendimento entre os dois partidos da coligação, deu por garantida a queda do actual governo e a consequente realização de eleições antecipadas. Como se sabe, tais astrólogos não viram confirmadas as suas profecias. Muito pelo contrário. Para a enorme desilusão dos partidos da oposição, sobretudo do PS, o Executivo PSD/CDS resolveu patrioticamente as suas crises internas e seguiu em frente até ao fim, incólume,  sempre com a mesma política, o mesmo primeiro-ministro e, no essencial, os mesmos ministros. Mais ainda: o governo enfrentou e geriu com total sucesso e reconhecimento inequívoco dos credores internacionais, um resgate económico e financeiro que o Partido Socialista de José Sócrates pediu, quando o país estava à beira da bancarrota.
 
PESADELO CINCO (OS COFRES CHEIOS)
 
    Sim, é verdade, o governo, que é como quem diz, o país, tem os cofres cheios. E porque não? Onde é que está o mal? O mal seria se os cofres estivessem vazios, como estiveram em Abril de 2011, do que resultou, aliás, o resgate financeiro do país por entidades estrangeiras. O mal será se os cofres cheios forem parar a mãos perdulárias cujo guião, em matéria de despesas públicas, deu no passado recente origem a um mau filme de terror que os portugueses não gostariam de ver outra vez. Os cofres estão cheios graças à forma sábia e prudente como o governo tem gerido as finanças e a economia da nação e isto, só por si, é um pesadelo assustador para António Costa.
 
PESADELO SEIS (ANTÓNIO SAMPAIO DA NÓVOA)
 
     Quem tramou Sampaio da Nóvoa? Quem tramou o PS, convencendo Sampaio da Nóvoa a ser candidato a Presidente da República pelo mesmo partido? Seja qual for a resposta a estas duas perguntas, uma coisa é certa: a candidatura de Sampaio da Nóvoa está a causar enormes embaraços ao Partido Socialista e, por extensão, a António Costa. É que até agora ainda não houve a coragem da parte dos socialistas de assumir pública e oficialmente qualquer apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa. Muito menos da parte de António Costa. Talvez fiado nesse putativo beneplácito socialista, ou seja, contando com o ovo no dito cujo da galinha, Sampaio da Nóvoa fez mesmo o seu avanço como candidato declarado a Presidente da República. Só que já lá vão quase cinco longos meses e, quanto a apoios partidários, nada! Nem do PS, nem de quialquer outra formação partidária. O que obriga a pensar que Sampaio da Nóvoa fez uma partida precipitada, ou, melhor dizendo, Sampaio da Nóvoa fez uma falsa partida. Por isso, o ex-professor universitário anda por aí positivamente a apanhar bonés, pedindo encarecidamente que o acudam, que o apoiem, que o amparem, porque, como se sabe, sem uma máquina partidária por detrás, Sampaio da Nóvoa vale zero como candidato presidencial. E enquanto for pairando nesse limbo existencial, como candidato a Presidente da República, Sampaio da Nóvoa será sempre um pesadelo bastante incómodo para António Costa.
 
PESADELO SETE (MARIA DE BELÉM ROSEIRA)
 
    Se Sampaio da Nóvoa é um pesadelo para António Costa, por ser hipotético candidato presidencial da escolha deste último, todavia sem o consenso da grande maioria dos socialistas, Maria de Belém Roseira é também um pesadelo para o secretário-geral do PS, mas por razões diametralmente opostas. Ou seja: Maria de Belém Roseira, além de ser militante e ex-presidente do PS, atributos que Sampaio da Nóvoa não pode inscrever no seu currículum, é a candidata que recolhe as simpatias e o carinho de uma grande maioria dos seus camaradas paridários,e, contudo, não tem por enquanto o apoio, nem implícito nem explícito, de António Costa. 
     Nota à margem (3): seria um absurdo colossal se António Costa vier a apoiar um candidato presidencial estranho ao Partido Socialista, em detrimento de Maria de Belém Roseira, uma conceituada e respeitável militante do mesmo Partido. 
 
PESADELO OITO (ARMANDO VARA)
 
    Armando Vara é um outro destacado militante socialista que está a tirar o sono a António Costa. E o caso não é para menos. Armando Vara foi secretário de Estado e ministro do governo socialista, liderado por António Guterres, na década de 1990. Já na primeira década deste século Armando Vara foi sucessivamente vice-presidente do BCP e administrador da Caixa Geral de Depósitos. A 25 de Setembro de 2014, Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efectiva por três crimes de tráfico de influências, no âmbito do processo Face Oculta, tendo entretanto recorrido da sentença. A 10 de Julho passado, foi indiciado dos crimes de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais, e colocado em prisão domiciliária, com pulseira electrónica. Armando Vara está a ser investigado no quadro da Operação Marquês (o mesmo processo em que José Sócrates está envolvido) e mais particularmente sobre os negócios respeitantes a Vale do Lobo, no Algarve. Suspeita-se que Armando Vara favoreceu este empreendimento quando era administrador da Caixa Geral de Depósitos.          
 
PESADELO NOVE (OS CARTAZES TRAPACEIROS)
 
    Os cartazes, acerca do desemprego, que o PS afixou recentemente em Lisboa e no Porto, obrigaram António Costa a interromper as férias para pedir desculpas. Porquê? Porque, por um lado, houve em tais outdoors utilização não autorizada de imagens de pessoas, estamos portanto a referir-nos à utilização abusiva das mesmas imagens,e, por outro, as citadas pessoas foram colocadas em contexto (desemprego) com o qual nada tinham a ver. Um outro cartaz exibe o retrato de uma cidadã que diz estar desempregada há cinco anos, isto é, o mesmo cartaz refere-se a alguém que perdeu o emprego no tempo do governo socialista de José Sócrates. Em suma, tratou-se de cartazes que, em vez de fazerem propaganda favorável ao PS, tiveram efeito totalmente contrário. São cartazes que, por serem trapaceiros, resultaram num formidável tiro no pé de quem os fez e os mandou colocar no espaço público. 
 
PESADELO DEZ (A GRÉCIA)
 
     (...) O triunfo do Syriza nas eleições gregas é um sinal de mudança que dá força a Portugal e a outros países europeus que seguirem a mesma linha.
 
    Este é mais um sinal da mudança de orientação política que está em curso na Europa, o esgotamento das políticas de austeridade a a necessidade de termos uma outra política que permita que a moeda única seja efectivamente uma moeda comum, que seja uma moeda que efectivamente gere ganhos para todos os povos e todas as economias da zona euro.
  
    É importante que outros países europeus dêem força a esses resultados na Grécia, que dão força a essa mudança. É preciso contrariar a vontade do governo português, que não quer a mudança e procura contrariar a mudança. Hoje, os gregos disseram que essa mudança tem que chegar.
 
    O povo grego resistiu a todas as mudanças, elegendo livre e democraticamente o Syriza. A União Europeia tem que respeitar a decisão do país.
 
    Não, estas palavras não foram proferidas por Francisco Louçã. Nem por Catarina Martins. Nem por Marisa Matias. Nem por Pacheco Pereira. Estas afanosas proclamações são da autoria de quem? Nada mais, nada menos do que de..António Costa. Estas ditirâmbicas tiradas de António Costa aconteceram na noite das eleições gregas, de 25 de Janeiro último. (Vem tudo escarrapachado no Expresso on line, da mesma data). Começou assim o pesadelo Grécia para António Costa, e o que de trágico aconteceu naquele país, nos últimos oito meses, antes e após o terceiro resgate, com as suas duríssimas medidas de austeridade impostas ao povo helénico, é bem a imagem fiel do que poderia ou poderá acontecer a Portugal com um governo socialista. A Grécia é o espelho tétrico em que os portugueses jamais quererão rever-se. Ainda bem!     
 
      

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

  

publicado por flagrantedeleite às 16:22
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