Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015

DÉCIMA EPÍSTOLA DE UM ALEMÃO AOS MERIDIONAIS DA EUROPA

COPÉRNICO, DARWIN E FREUD

     Desde a Antiguidade, deram-se três grandes mudanças na ideia que o Homem fazia de si mesmo. Três importantes descobertas abalaram a nossa vaidade. 

    Antes de Copérnico, pensávamos  que éramos o centro do Universo, e que todos os corpos celestes giravam á volta da Terra. Mas o grande astrónomo desfez esse conceito, e nós fomos forçados a admitir que o nosso planeta é apenas um de muitos que giram à volta do Sol, e que há outros sistemas solares, além do nosso, em mundos inumeráveis.

    Antes de Charles Darwin, o Homem acreditava que era uma espécie circunscrita, separada e isolada do reino animal. Mas o grande biológo mostrou-nos que o nosso corpo é o produto de um longo processo evolutivo cujas leis em nada são diferentes das de qualquer outra forma de vida animal.

    Antes de Sigmund Freud, o Homem acreditava que o que ele dizia e fazia era o resultado isolado da sua consciência. Mas o grande psicólogo mostrou a existência de outra parte da nossa mente, que funciona num secretismo obscuro e que pode mesmo governar as nossas vidas.

    Esta é a história da pesquisa de Freud de uma zona tão escura como o próprio Inferno, o inconsciente do homem, e a forma como ele a iluminou.

Prólogo (e voz de John Huston) do filme FREUD ALÉM DA ALMA (1962), do mesmo realizador norte-americano.

 

A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

    O filho da  moderna civilização europeia tratará os problemas da história universal, tendo em conta, inevitável e legitimamente, a seguinte questão: que encadeamento particular de circunstâncias levou a que no Ocidente, e só aqui, tenham aparecido fenómenos culturais que - como pelo menos gostamos de pensar - se situam numa direcção evolutiva de significado e valor universais?

     Só no Ocidente existe "ciência" num estádio de desenvolvimento que hoje reconhecemos como "válido". Noutros lugares, sobretudo na Índia, na China, na Babilónia e no Egipto, também existiram conhecimentos empíricos, reflexões sobre os problemas do mundo e da vida, uma profunda sabedoria filosófica e também teológica - embora o pleno desenvolvimento de uma teologia sistemática seja característico do cristianismo de influência helenística (só no Islão e em algumas seitas indianas encontramos tentativas nesse sentido) -, conhecimentos e observações extraordinariamente requintados. Mas à astronomia babilónica, bem como a todas as outras, faltava - o que ainda torna mais extraordinário o seu desenvolvimento - a fundamentação matemática, que só os Gregos lhe proporcionaram. À geometria indiana faltava a "demonstração" racional - mais um produto do espírito helenístico, que também foi o primeiro a criar a mecânica e a física. Às ciências naturais indianas, muito desenvolvidas no aspecto da observação, faltava a experimentação racional - após os primeiros passos da Antiguidade, essencialmente um produto do Renascimento - e o laboratório moderno e, por conseguinte, à medicina altamente desenvolvida do ponto de vista empírico-técnico, nomeadamente na ìndia, faltavam os fundamentos biológicos e, particularmente, bioquímicos. A todas as civilizações fora do Ocidente faltava uma química racional. À historiografia chinesa, altamente desenvolvida, falta o pragmatismo tucididiano. Maquiavel tem precursores na Índia, mas a todas as teorias do Estado faltava uma sistematização semelhante à de Aristóteles, bom como os conceitos racionais. Por outro lado, para uma jurisprudência racional faltam, apesar de todas as tentativas feitas na Índia (escola Mimansa), de todas as vastas codificações, particularmente, na Ásia Menor, e de todos os livros de direito indianos e de outros povos, os esquemas e formas de pensamento rigorosamente jurídicos do direito romano e do direito ocidental dele derivado. Só o Ocidente conhece uma construção como o direito canónico.

   O mesmo acontece na arte. Aparentemente, o ouvido musical estava mais desenvolvido noutros povos do que nos nossos dias ou, pelo menos, não estava menos desenvolvido. Vários tipos de polifonia, a instrumentação e os diferentes compassos, estavam largamente divulgados no mundo, assim como os intervalos tónicos racionais. Mas só no Ocidente existiu a música harmónica racional - tanto o contraponto como a harmonia - a composição musical com base nos três trítonos, a nossa cromática e a nossa harmonia, que não se baseiam nas distâncias, mas que desde o Renascimento se expressam de uma forma racional, a nossa orquestra com o seu núcleo constituído pelo quarteto de cordas, com a organização do conjunto dos instrumentos de sopro e com o contrabaixo, a nossa escrita musical (que tornou possível a composição e execução das obras musicais modernas, bem como a sua perduração), as nossas sonatas, sinfonias e óperas - embora sempre existissem a música de programa, as alterações de tons e a cromática - e, como meio de as executar, todos os nossos instrumentos fundamentais (órgão, piano e violino).

    Os povos da Antiguidade e da Ásia já conheciam os arcos em ogiva como meio de decoração e supõe-se que a abóbada em ogiva não era desconhecida no Oriente. Mas não se encontra a utilização racional da abóbada gótica criada na Idade Média como meio de suporte de separação dos empuxos e de abobadar espaços e, sobretudo, como princípio de construção de grandes monumentos e como fundamento de um estilo que engloba a escultura e a pintura. Do mesmo modo, também não se encontra, embora os seus princípios técnicos básicos tenham sido colhidos no Oriente, a solução do problema da cúpula e do tipo de racionalização "clássica" da arte na sua totalidade - na pintura através da utilização racional da perspectiva linear e aérea - criados pelo Renascimento. Na China existiram produtos das artes gráficas. Mas só no Ocidente surgiram a "imprensa" e "jornais " impressos, ou seja, toda uma literatura destinada à letra de forma, e só possível através da impressão.

   Na China e no Islão também existiram escolas superiores de todos os tipos, algumas delas superficialmente semelhantes às nossas universidades ou academias. Mas o exercício racional, sistemático e especializado da ciência, um "corpo de especialistas" treinados, só no Ocidente existiu, num sentido e importãncia aproximados aos que posssuem na nossa cultura. Isto é sobretudo verdade quanto ao "funcionário" especializado, pilar do Estado moderno e da moderna economia ocidentais. Dele só encontramos percursores, mas que em parte alguma se tornaram tão fundamentais para a ordem como no Ocidente (...) A monarquia fundada sobre os estados feudais [Ständestaat], como rex et regnum no sentido ocidental, só foi conhecida na nossa civilização. (...) O "Estado"  principalmente no sentido de instituição política, com uma "Constituição" escrita e um direito racional estabelecido, com uma administração orientada por regras racionais (as leis), exercida por funcionários especializados, só no Ocidente aparece nesta combinação de características decisivas - apesar dos passos dados neste sentido noutros lugares.

   Introdução ao ensaio A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber (1864-1920), tradução de Ana Falcão Bastos e Luís Leitão, Colecção Livros Que Mudaram o Mundo, 2010, uma iniciativa do jornal PÚBLICO, no 20º. aniversário da sua fundação.  

 

QUE LIVRO, OU LIVROS, LEVAR PARA A ILHA DESERTA? 

    De que serve a um crítico individual, situado tão tardiamente na tradição, catalogar o Cânone Ocidental tal como ele o vê? Até as nossas universidades de elite se mostram indolentes perante as vagas de multiculturalismo. Porém, mesmo no caso de as modas actuais levarem a melhor para sempre, as escolhas canónicas de obras do passado e do presente têm o seu interesse e encanto próprios, na medida em que também essas escolhas fazem parte da contenda continuada que é a literatura. Toda a gente tem, ou devia ter, uma lista de coisas necessárias numa ilha deserta para levar consigo naquele dia em que, escapando dos inimigos, se é lançado na praia, ou então quando, feita toda a guerra, o sobrevivente, coxeando, se afasta para passar o resto da sua vida a ler tranquilamente. Se eu pudesse ter um só livro, ele seria o Shakespeare completo; se eu pudesse ter dois, seria esse e a Bíblia. E se fossem três? Aí começam as dificuldades.  

Harold Bloom, in O Cânone Ocidental (1994), págs. 510/511, Temas e Debates (1ª. Edição, Fev.  de 2011), tradução de Manuel Frias Martins.

 

Caríssimos irmãos do Sul, 

VERMELHOS POR FORA E VERDES POR  DENTRO

Para a Cristina

    Anda um espectro pelo mundo ocidental - o espectro da barbárie. E não é uma barbárie qualquer. É uma barbárie que assume várias formas: a forma religiosa, a forma cultural, a forma política e a forma terrorista. Neste último caso, estamos obviamente a falar dos recentes e sangrentos atentados de Paris, perpetrados por militantes jihadistas, em nome de Alá e de Maomé. Também estamos a falar do fundamentalismo islâmico. Do fundamentalismo islâmico cujo objectivo último é o renascimento do califado, há muito abolido por Mustafá Kemal.

    No ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, os fanáticos muçulmanos atingiram-nos num dos nossos valores mais sagrados: a liberdade de expressão e de informação. Coisa que eles não têm nem querem ter. Eles dão-se bem com as ditaduras e com a opressão. Isto, porque eles ficaram-se pela Idade Média - no culto do Estado teocrático e oligárquico, na plutocracia, na inferiorização da mulher, na poligamia, nos castigos e nas penas selváticas, grande parte dos quais cumpridos e executados em público, em respeitáveis países de matriz islâmica. Os mesmos países que patrocinam e financiam os atentados, de toda a ordem, contra o mundo ocidental e levados  a cabo por muçulmanos mais fanáticos. É preciso ter presente que tais apoios, repetimos, emanados de respeitáveis países arábes, acabam por ser as mãos escondidas atrás dos arbustos. Ou, se se quiser, as mãos escondidas entre as dunas dos desertos, o que vem dar tudo ao mesmo. Esses apoios, em dinheiro e sob outras formas, permitem aos jihadistas não só alimentarem a sua quase sempre dispendiosa logístíca, como e principalmente se fornecerem de armas sofisticadas, com as quais têm vindo a espalhar o terror pelo mundo ocidental.

    E porquê o mundo ocidental? Porque os islamitas odeiam e simultaneamente invejam o modo de vida ocidental. Porque odeiam e invejam o nosso avanço cientifico, técnico e cultural. Porque odeiam e invejam as religiões cristãs ocidentais, mais racionais, mais tolerantes e mais progressistas, (e pelas quais forram varridos definitivamente do mundo ocidental, no século XV, e onde não deixaram saudades). E, finalmente, porque odeiam e invejam as nossas liberdades e as nossas igualdades: políticas, culturais, religiosas, de livre expressão do pensamento, de género, de orientação sexual, etc  

   Pegando na vertente cultural da questão, convirá lembrar que o mal é antigo e é muito mais amplo. Desde o anos oitenta do século passado temos vindo a ser confrontados com imposições culturais, vindas de fora e de dentro, sobretudo, com essas duas pragas, que são frutos paridos do mesmo ventre e que se dão pelos nomes do multiculturalismo e do politicamente correcto. A respeito deste último, o politicamente correcto, refira-se, de passagem, o caso escandaloso do romance de Mark Twain, "As Aventuras de Huckleberry Finn" (1884), primeiro boicotado, e depois alterado, nos Estados Unidos, na citada década de 1980, em algumas das suas passagens e dos seus vocábulos, a pretexto do politicamente correcto. Um tal John H. Wallace é o autor da versão purgada desse clássico da literatura americana e uma das várias alterações incidiu sobre o termo "nigger" (preto), substituído por "slave" (escravo), além de que a palavra "hell" (raios) levou pura e simplesmente sumiço. 

     Tudo tem vindo a ser pensado e feito em nome do multiculturalismo e do politicamente correcto. E tudo visando vergar a Civilização Ocidental, nos países que hospitaleiramente, e às vezes ingenuamente, dão guarida aos integristas muçulmanos e seus consortes. Querem impor-nos a burca, a mutilação sexual feminina, a poligamia, a sua visão da História, o respeito pelas suas referências culturais e religiosas, quando, além de tudo o mais, não existe da parte deles o mais pequeno respeito pelos nossos valores e pelas nossas referências culturais. Aproveitam-se das nossas fronteiras livres e abertas para, qual Quinta Coluna, minarem e subverterem por dentro as nossas tradições e as nossas práticas culturais.Quando não pôem em perigo  a nossa própria segurança, como agora sucedeu com os massacres de Paris e já tinha acontecido antes em Nova Iorque, Londres e Madrid. A este propósito, há que rever e, se necessário, reverter com urgência o Tratado de Schengen, em particular, no que diz respeito às fronteiras dos países limítrofes do Sul da Europa. A livre circulação de pessoas, no espaço da União Europeia, provou ser uma armadilha mortal ou mesmo um suicídio para o continente europeu. Como é sabido, muitos dos mencionados países limítrofes do Sul da Europa, graças ao seu passado colonial recente, são portas de entrada, livres e francas, de candidatos à imigração legal, mas também de candidatos à imigração clandestina. A Europa tornou-se uma atracção fatal e irresistível. Pela sua prosperidade, pela sua generosidade e pela sua solidariedade. A Europa atrai tudo e todos e de todas as latitudes. A Europa atrai os bons e os maus. Os necessários e os desnecessários. Os amigos e os inimigos. Os sinceros e os oportunistas. Os francos e os hipócritas. Os inócuos e os contagiosos. Em qualquer dos casos, há que apertar as malhas das exigências nas entradas de tais candidatos à imigração na Europa. De resto, nem todos os imigrantes, que passam a ser cidadãos de países europeus, o são por convicção e com sinceridade. Muitos só querem ter o passaporte europeu. Muitos querem a cidadania europeia apenas e tão-só para resolver problemas laborais, administrativos ou até por simples conveniências pessoais. Muitos só querem beneficiar das regalias do modelo social europeu, ou, mais concretamente, dos seus generosos subsídios, das suas habitações sociais, das suas chorudas reformas, e das suas assistências médicas e medicamentosas a custo zero. Muitos desses novos cidadãos europeus trazem por dentro os seus países de origem e por lá se ficam. Muitos desses novos cidadãos europeus são o contrário da melancia. São vermelhos por fora e verdes por dentro.

   Três exemplos eloquentes e com os quais concluiremos a presente epístola. Atenção: in cauda venenum.

   A cantora cabo-verdiana, Nancy Vieira, residente em Lisboa, (como aliás a família toda e também uma grande maioria dos cantores cabo-verdianos, os quais fizeram de Lisboa a sua sede pessoal, social e profissional) disse não há muito tempo, em entrevista a um diário português, que a nacionalidade portuguesa, que ela possui, é uma questão meramente administrativa. Assim mesmo, com todas as letras: para mim a nacionalidade portuguesa é uma questão meramente administrativa. Comentários para quê?

   Uma outra cantora cabo-verdiana, Celina Pereira, também residente na capital lusa, pavoneia-se em Lisboa, e no resto do país, (tra)vestida de africana, como se estivesse num país do continente negro. A sério? (tra)vestida de africana? Sim, dos pés à cabeça e sem esquecer o turbante. Celina Pereira não desfruta do melhor dos dois mundos. Não! Muito longe disso! Celina Pereira desfruta do melhor dos três mundos: ela canta e fala à crioula, veste-se à africana, e vive à portuguesa. 

    Rolando, outro cabo-verdiano e ex-jogador efectivo do Futebol Clube do Porto, surpreendeu tudo e todos (excepto os seus patrícios, está claro) ao aparecer embrulhado na bandeira de Cabo Verde, na final da Taça da Liga Europa, logo depois do jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting de Braga, realizado em Dublim, em 17/05/2011, e quando o seu clube festejava a vitória ainda dentro do rectângulo. Como? Embrulhado na bandeira de Cabo Verde? Sim, isso mesmo, tapado com a bandeira do seu país natal. O que quer dizer que, enquanto os seus colegas, os adeptos, os técnicos e os dirigentes do Futebol Clube do Porto celebravam legitimamente um feito internacional da sua equipa, mas também de Portugal, Rolando, alheio ao que acontecia à sua volta, festejava, solitária e ostensivamente, Cabo Verde, o seu torrão natal. Com tal gesto, Rolando ditou, e bem, a sua sentença de morte enquanto futebolista quer do Futebol Clube do Porto, quer de qualquer outro clube português, e até, e por maioria de razão, da selecção portuguesa de futebol. Ao que parece, Rolando anda por aí aos baldões da sorte e numa lenta agonia futebolistíca, a ser emprestado ora a este, ora àquele clube estrangeiro, sem qualquer direito de opção. Lá está: são o contrário da melancia. São vermelhos por fora e verdes por dentro.             

    

 

                          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por flagrantedeleite às 13:17
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