Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

FELIZ NATAL, MR. LAWRENCE

   Há Lodo no Cais, uma película de 1954, é da autoria do realizador norte-americano, Elia Kazan. O filme relata-nos o drama dos estivadores nova-iorquinos, subjugados por um sindicato mafioso e corrupto. Um sindicato que pratica impunemente a extorsão e o suborno. Um sindicato que procura atingir os seus fins criminosos pela intimidação, pelo espancamento, pelo assassinato. Um sindicato que persegue implacavelmente os dissidentes e os que fazem ondas. Um sindicato que liquida, sem dó nem piedade, os insubmissos e os suspeitos de deslealdade. Enfim, um sindicato que escolhe os estivadores, que devem trabalhar e os que não devem trabalhar, seguindo critérios de maior ou menor obediência à organização.

   Deste sindicato, diz Johnny Friendly (Lee J. Cobb), o seu chefe todo-poderoso: Somos um sindicato cumpridor da lei. Do mesmo sindicato, diz um dos estivadores, em pleno cais e no meio de vários colegas, acabados de ser preteridos pelo contratador: O cais é duro. É como se não fizesse parte da América.  Sabe como funciona o sindicato? É deste modo: levantas-te na reunião, fazes uma moção, as luzes apagam-se e depois sais. Tem sido assim desde que o Johnny e os seus amigos tomaram conta disto.  É contra tudo isto que se levantam o padre Barry (Karl Malden),e, depois, Terry Malloy (Marlon Brando), um ex-pugilista falhado, e que, agora, não passa de um paquete às ordens de Friendly.

   No fundo do porão de um navio, e perante o corpo de um estivador, assassinado pouco tempo antes, proclama o sacerdote católico, para os trabalhadores presentes: Alguns acham que a Crucificação só aconteceu no Calvário. É melhor abrirem os olhos. Tirar a vida ao Joey Doyle para o impedir de falar é uma Crucificação. Deixar cair uma carga sobre Kayo Dugan, porque ele ia contar tudo manhã, é uma Crucificação. Sempre que eles pressionam um homem bom, que tentam impedi-lo de cumprir o seu dever como cidadão, é uma Crucificação.  E quem deixa isto acontecer, não fala sobre algo que aconteceu, partilha a culpa disso, tal como o soldado romano que cortou a carne do Nosso Senhor para ver se Ele estava morto. Rapazes, esta é a minha igreja. Se acham que Cristo não está aqui no cais, estão muito enganados! Todas as manhãs, quando o contratador apita, Jesus está ao vosso lado. Ele vê porque é que alguns são escolhidos e outros não. Ele vê os chefes de família preocupados em pagar a renda e em conseguir a comida para a mulher e filhos. Ele vê-os a vender a alma à Máfia por um dia de pagamento. 

   Mais adiante, tornaremos a falar de Há Lodo no Cais, e do arrependido Terry Malloy. Relembremos, por ora, o que disse uma crítica de cinema, norte-americana, a propósito desta obra: Passados cinquenta nos, Há Lodo no Cais faz-nos contemplar a traição com a mesma intensidade. Dizemos nós: Passados sessenta anos, Há Lodo no Cais faz-nos contemplar a revolta com a mesma intensidade. Vale a pena voltar ao filme. 

   

    É bem possível que os países do centro e do norte da Europa já não queiram deixar cair a Eurozona. É bem possível que esses mesmos países já não queiram admitir a possibilidade da queda do euro, como moeda única. É bem possível que esses mesmos países já não queiram a saída da Grécia da Eurozona. Nem de Portugal. Nem da Espanha. Nem da Irlanda. Nem da Itália.

    A integridade da União Europeia, em especial da Zona Euro, pode ser um imperativo mundial. A integridade da Zona Euro pode ser uma condição para a retoma das economias ocidentais. A integridade da Zona Euro pode ser uma exigência dos Estados Unidos e da China. Talvez estes queiram mesmo o reforço do espaço europeu. Talvez queiram mesmo a recuperação do projecto europeu. Talvez queiram mesmo a vertente federalista da União Europeia, ou qualquer coisa de muito próximo. Talvez queiram mesmo o orçamento único, alguma mutualização das dívidas, as transferências comunitárias, a supervisão bancária.

    Mas, atenção! O que com toda a certeza eles não querem são os países gastadores. Mas, cuidado! O que com toda a certeza eles rejeitam são os países perdulários. Mas, cautela! O que com toda a certeza eles esconjuram são os países do regabofe consumista. Mas, alto lá! O que com toda a certeza eles abominam é o regresso ao passado recente dos esbanjadores.

     E isto são exigências de todos, mas particularmente dos contribuintes alemães, holandeses, austríacos e finlandeses. E isto são exigências dos que não querem continuar a pagar as facturas dos que, durante trinta anos, dormiram à sombra da azinheira. E isto são exigências dos que sentem directamente na carteira os desvarios dos países do sul da Europa.

    Por isso tudo, desenganem-se os que pensam que a austeridade vai já acabar. Por isso tudo, desiludam-se os que ainda sonham com o regresso ao período anterior a 2011. Por isso tudo, tirem daí o sentido os que ainda julgam possível manter ou recuperar os salários principescos. As reformas milionárias. Os subsídios mirabolantes. Os subsídios de residência. Os subsídios de refeição. As cantinas públicas. Os direitos adquiridos. As promoções automáticas. As horas extraordinárias inventadas. As isenções do horário de trabalho fictícias. As profissões fechadas. Os subsistemas de luxo. As piscinas disfarçadas. Os 2 e 3 automóveis por família. As férias exóticas. As 2 e 3 casas por família. Os restaurantes de luxo. Os restaurantes com vista para o mar. Os créditos bancários fáceis, rápidos e baratos. Os professores à rédea solta. Os restaurantes de vão de escada. As aventuras imobiliárias. Os cafés da esquina. As auto-estradas vazias. Os estádios de futebol desertos. As rotundas inúteis. As Fundações parasitárias. As rendas excessivas. As rendas de casa baratas. As reivindicações irrealistas. Os avanços civilizacionais de fachada. As obras faraónicas. Os elefantes brancos. Os Estados Sociais incomportáveis. As mordomias à descarada. Os privilégios de casta. As regalias perpétuas. 

    Estes exemplos e práticas pertencem ao passado. Estes exemplos e práticas devem pertencer ao passado. Estes exemplos e práticas fazem parte de um sonho que findou. Estes exemplos e práticas fazem parte de um sonho que tinha de chegar ao fim. Fazem parte de um estilo de vida sem ética nem sustentação. Fazem parte de uma perigosa utopia. Fazem parte de um desatino irresponsável.

    A partir de agora, tudo vai ser diferente. A partir de agora, é tudo um rio sem regresso. A partir de agora, é tudo uma via de sentido único. A partir de agora, é tudo uma viagem só de ida. A partir de agora, o que se perfila no horizonte é um novo mundo. Uma nova vida. Uma  nova era. A partir de agora, o que os países do centro e do norte da Europa querem e exigem são Estados que se bastem a si mesmos. Estados que não devam gastar mais do que produzem. Estados que, se arrecadam 70 Mil Milhões de euros de receita fiscal, não possam gastar 78 Mil Milhões euros. Estados que inscrevam nas suas Constituições os limites do défice orçamental e do endividamento público. Estados que não prometam eleitoralmente o que depois não possam nem devam dar. Em suma: o que os países do centro e do norte da Europa querem e exigem são Estados sem qualquer propensão para o aventureirismo. Ou para o populismo. Ou para o oportunismo. Ou para o arrivismo.  

    E os países do centro e do norte da Europa têm todo o direito de nos fazerem tais exigências. Têm todo o direito de nos porem na ordem. Têm todo o direito de nos arrumarem a casa. Têm todo o direito de mexerem nas nossas leis, produzidas em tempos de vacas supostamente gordas. Têm todo o direito de nos iluminarem os caminhos. Têm todo o direito de nos fazerem arrepiar caminho. Têm todo o direito de nos obrigarem a cortar o que nunca devíamos ter dado. Têm todo o direito de nos obrigarem a cortar o que não podíamos nem tínhamos dinheiro para possuir. Eles têm sobre nós estes direitos todos.

    É que, além de tudo o mais, são eles que nos estão a sustentar. Foram eles que  nos deram a mão, quando tudo estava perdido. Foram eles que nos pararam mesmo à beira do abismo. Foram eles que nos emprestaram o dinheiro com que estamos a viver. Foram eles que nos emprestaram 78 Mil Milhões de euros. Foram eles que nos vieram salvar da bancarrota iminente. São eles que provavelmente vão ter que nos emprestar, a breve trecho, mais 30 Mil Milhões de euros.

    E, sem eles, teríamos um destino incerto e sombrio. E, sem eles, ninguém mais nos acudiria. E, sem eles, talvez só regressando ao escudo e a um recuo, económico e social, de mais de 40 anos. E, sem eles, é que seria de facto o verdadeiro recuo civilizacional. E, sem eles, é que seria com efeito o recuo civilizacional que a todos nos aterroriza. E não o recuo civilizacional apregoado por aqueles que nos arrastaram até onde chegámos. Aqueles que agora combatem com armas ideológicas o que não passa de simples operações aritméticas. Aqueles que continuam a servir-se das mesmas armas ideológicas com que nos conduziram ao precipício. Aqueles que levam as mesmas armas ideológicas para as convenções. Aqueles que carregam as mesmas armas ideológicas com que assinam os manifestos. Aqueles que são muito lestos a criticarem a Grécia e a demarcarem-se da Grécia, e se fazem de cegos no que diz respeito ao passado recente do nosso quintal e à actualidade do nosso quintal. Aqueles que nos querem proibir de falar nos desmandos recentes do nosso quintal. Aqueles que querem passar uma esponja sobre as loucuras recentes do nosso quintal como se nada fosse. 

    A partir de agora, vamos estar entregues a nós mesmos. A partir de agora já não temos onde ir buscar o dinheiro. A partir de agora, só nos resta o caminho de gastarmos de acordo com o nosso crescimento económico e segundo as nossas possibilidades.

 

     Depois de ter participado involuntariamente no homicídio de um estivador descontente, Joey Doyle; depois de se enamorar de Edie (Eva Marie Saint), irmã de Joey; depois de assistir ao assassinato de outro estivador descontente, Kayo Dugan; depois de ter contemplado o cadáver do seu próprio irmão, Charley Malloy (Rod Steiger), a baloiçar num gancho; depois de instigado pelos exemplos e pelas palavras do padre Barry; depois de ter quebrado a lei do silêncio, de ter deposto corajosamente perante uma comissão do Congresso e de finalmente ter testemunhado contra Johnny Friendly e o seu bando de mafiosos; depois de este último gesto lhe ter valido a ostracização imediata da comunidade portuária, Terry Malloy reencontra-se consigo próprio. Terry Malloy reergue-se do chão. Terry Malloy recupera a honra e a dignidade perdidas. E, perante o cais e todos os seus companheiros, Terry Malloy aponta o dedo implacável ao chefe do sindicato e desafia-o: Friendly, vem cá fora! Sem as armas, tu não és nada, sabias? Tirando os bens, os subornos, o dinheiro das extorsões e os pistoleiros, não és nada! A tua coragem está toda na carteira e no dedo no gatilho! Talvez te tenha traído, do vosso ponto de vista. Mas agora estou deste lado! Estava a trair-me a mim próprio ao longo dos anos e nem sequer sabia. Tu mataste o Joey, mataste o Dugan e mataste o Charley que era um dos teus. Pensas que és um Deus Todo Poderoso, mas sabes o que és? És um maldito, sujo e podre vigarista e estou contente por te ter tramado. Estou contente pelo que fiz e vou continuar a fazê-lo.       

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

 

      

 

 

 

 

           

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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

CORRENTE DE CONSCIÊNCIA (os caminhos que se bifurcam)

   O génio é isto, caramba. 22 anos. De sacrifícios. De abnegação. De entrega. E agora dão-me um papel para o subsídio de desemprego. Já viu isto? O sete. O número cabalistíco por excelência. Os sete dias da semana. As sete chagas de Cristo. As sete quedas a caminho de Gólgota. As sete divindades da Natureza. As sete cores do arco-íris. As sete pragas do Egipto. As sete notas musicais. Os sete sacramentos. Os sete palmos de terra. Direito adquirido. Emprego para toda a vida. Isenção do horário de trabalho. Subsídio de almoço. Recuo civilizacional. Cansado? Não, solteiro.

 

     Na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura económica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superstrutura jurídica e política e a qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que inversamente determina a sua consciência.  

 

      O génio é isto, caramba. Diz-me lá os teus pecados, menino. Senhor padre, eu. 22 anos. Uma vida inteira. De sonhos. De ilusões. De inocência. Perdi os três, aqui neste gabinete. E agora dão-me este papel para o subsídio de desemprego. É a paga. Escolho os meus amigos pela sua boa apresentação, os meus conhecidos pelo seu carácter e os meus inimigos pela sua boa inteligência. Um homem não pode ser muito exigente na escolha dos seus inimigos. Três homens, com destinos parecidos. O primeiro arribou com ela nos idos de oitenta do século passado. Ele vinha sem eira nem beira. Quem tinha e podia era ela. O casamento foi sol de pouca dura. Divorciado, e sem poiso certo, ele andou por aí aos baldões da sorte. Uma doença, que devia ser prolongada, levou-o rapidamente. O segundo chegou e conheceu-a cá, na década seguinte. Ela era, e continua a ser, mulher idónea e respeitável. Ele, tal como o anterior, era um pelintra. 0 conúbio foi acidentado. A vida dele era uma agitação permanente. Morreu vítima de uma naifada certeira na jugular. No meio de um jogo de batota, num subúrbio mal-afamado da capital. O último chegou também atrelado a ela, já no primeiro decénio deste século. E também sem onde cair morto. E, para cúmulo, numa idade pouco recomendável para candidaturas a empregos. As relações deterioraram-se num instante. Tornaram-se insuportáveis. A ligação não resistiu e ele regressou sem delongas à procedência. Ao menos, safou-se com vida. Resumindo e concluindo: nenhum deles tinha profissão ou curriculum que se apresentasse. Todos dependiam delas. Os três vieram e viveram aos trambolhões. Dois ficaram pelo caminho. Ambos, de morte ruim. Foram três casamentos e dois funerais. Eram três carecas à procura de um pente. Casado? Não, cansado. 

 

      STANLEY KUBRICK, AS CASAS DE BANHO E OS SUICÍDIOS. Em Lolita, é na privacidade da casa de banho, e sentado ao lado da sanita, que o Professor Humbert (James Mason), escreve partes do seu diário fatal, cuja descoberta e leitura pela mulher Charlotte Haze (Shelley Winters) conduzirão esta directamente ao suicídio, à frente de um automóvel em andamento; em Dr. Strangelove, é fechado na casa de banho que o feroz anticomunista, o general Ripper (Sterling Hayden), põe termo à vida, com uma bala da sua metralhadora; em Shining, é numa casa de banho, do  Overlook Hotel, que Jack Torrance (Jack Nicholson) se confronta, inesperadamente, com Charles Grady (Philip Stone) o antigo guarda do mesmo hotel, que havia assassinado a esposa e as duas filhas, de 8 e 10 anos, a golpes de machado, matando-se em seguida com dois tiros na boca; finalmente, em Nascido para Matar, é na casa de banho da caserna, e no meio de sanitas, que, pela calada da noite, o simiesco soldado Pyle (Vincent D'Onofrio), liquida a sangue-frio o sargento Hartman (R. Lee Ermey), disparando acto contínuo contra si mesmo.    

          

     O génio é isto, caramba. 22 anos. De uma vida. De esforço. De dedicação. De entrega. Aqui deixados. E agora dão-me um papel para o subsídio de desemprego. Já viu isto? Rapa, tira e põe. A ferro e fogo. Presto Andante amabile e com moto. A advogada cantante. Às vezes ela canta e outras vezes ela pleiteia. E outras vezes ainda ela mistura as duas coisas. É conforme. Tem dias. Quando canta, ela faz publicidade à advogada. Quando alega, ela faz reclame à cantora. Ela disserta, cantando, e canta, dissertando. À noite, ela deita-se com a advogada, e de manhã, ela acorda com a cantora. Ao almoço, ela petisca a advogada, e ao jantar, ela prova a cantora. A advogada é o prato, a cantora é a sobremesa. Ela bebe a advogada e mastiga a cantora. Ela engole a advogada e excreta a cantora. O jardim dos caminhos que se bifurcam.  A superioridade moral. A superioridade moral dos comunistas. A superioridade moral da esquerda. A superioridade moral da direita. A superioridade moral dos progressistas. A superioridade moral dos conservadores. A superioridade moral dos cultos. A superioridade moral dos intelectuais. A superioridade moral dos críticos. A superioridade moral dos criadores. A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. A superioridade moral dos que possuem uma boa bibiloteca. A superioridade moral dos que têm e leram Crime e Castigo. A superioridade moral dos que sabem quem é Leon Tolstoi. A superioridade moral dos nacionalistas. A superioridade moral dos independentistas. A superioridade moral dos separatistas. A superioridade moral dos unionistas. A superioridade moral dos monárquicos. A superioridade moral dos republicanos. A superioridade moral dos cinéfilos. A superioridade moral dos vegetarianos. Mãe, há só uma.    

       

     Uma panorâmica da estatística profissional de um país pluriconfessional costuma mostrar com uma frequência significativa um fenómeno por várias vezes vivamente discutido na imprensa, literatura e congressos católicos da Alemanha: o facto de os dirigentes das empresas e os detentores de capitais, bem como as camadas superiores da mão-de-obra qualificada e, mais ainda, o pessoal técnico e comercial altamente especializado das empresas modernas, serem predominantemente protestantes.

 

      O génio é isto, caramba. 22 anos. De uma vida. De ilusões. De sonhos. De projectos. Aqui deixados. E agora dão-me um papel para o subsídio de desemprego. Já viu isto? A superioridade moral dos omnívoros. A superioridade moral dos abstémios. A superioridade moral dos antitabagistas. A superioridade moral dos ecologistas. A superioridade moral dos materialistas. A superioridade moral dos católicos. A superioridade moral dos católicos progressistas. A superioridade moral dos católicos ortodoxos. A superioridade moral dos papistas. A superioridade moral dos mais papistas que o Papa. A superioridade moral dos jesuitas. A superioridade moral dos calvinistas. A pluma, a vedeta e a intelectual. A fotografia diz tudo. Já não há sorrisos. Nem as poses doutrora. As poses agora são outras. Agora há preocupação e reflexão. Os tempos agora são outros. Longe vão os tempos em que éramos todos felizes. Longe vão os tempos da fartura e da abundância. Uma imagem vale mais do que mil palavras. A superioridae moral dos moralistas. A superioridade moral dos idealistas. A superioridade moral dos evolucionistas. A superioridade moral dos criacionistas. A superioridade moral dos crentes. A superioridade moral dos ateus. A superioridade moral dos deístas. Mãe, há só uma.

 

       É A CONFIANÇA, ESTÚPIDO! A Economia é 50% de psicologia. Disse recentemente a chanceler alemã Angela Merkel. No fundo, o que ela queria dizer era confiança, em vez de psicologia. E ela tem razão. Mas não é só a Economia que depende da confiança. Toda a nossa vida pessoal, profissional, social e política radica-se na confiança. É a confiança que cimenta as relações humanas, quer sejam de amizade, conjugais, comerciais, jurídicas ou outras. É por confiarmos uns nos outros que tais relações existem. Quando se elege um Presidente da República (cá está!) dá-se-lhe um voto de confiança. É na confiança que assentam as mais variadas e complexas relações internacionais, e é por causa dessa confiança que os países vivem em paz, uns com os outros. O nosso quotidiano baseia-se essencialmente na confiança. É a confiança que nos faz vir à rua sem qualquer receio de sermos devorados por animais selvagens, de sermos assaltados ao virar da esquina, ou de sermos atingidos por balas perdidas. É a confiança que determina o nascimento de um povoado, e a sua evolução até à cidade ou nação. E é também a confiança que assegura a continuidade de um povoado, cidade ou nação. Inversamente, é a falta de confiança que origina as crises. Crises de relações pessoais e igualmente crises económicas, sociais e políticas. É a falta de confiança que conduz à desertificação regional, ou à emigração. É a falta de confiança que pode levar à queda de um governo ou de um regime político. É a falta de confiança entre os países que pode envenenar as suas relações entre si e causar as guerras. As sociedades, como as pessoas, sem confiança em si mesmas, são sociedades condenadas ao fracasso ou mesmo à extinção.  

 

 

 

 

 

 

 

 

         

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